Monday, February 19, 2007

Wednesday, January 31, 2007

Cor-de-ti

Continuam na retina
Dos meus olhos, os teus
Espelho da alma que mina
A intenção do Adeus

E se acaso perdi
O toque da tua mão
Resta-me a cor-de-ti
Sombra da luz da paixão

Friday, January 26, 2007














Foto por Xanix

Asas servem p'ra voar
Para sonhar ou p'ra planar
Visitar, espreitar, espiar
Mil casas do ar

As asas não se vão cortar
Asas são p'ra combater
Num lugar infinito
Num vacuo para ir espiar o ar

Asas são p'ra proteger
Te pintar, não te esquecer
Visitar-te, olhar, espreitar-te
Bem alto do ar

E só quando quiseres pousar
A paixão que te roer
É o amor que vês nascer
Sem prazo, idade de acabar
Não há leis para te prender
Aconteça o que acontecer

Mas só quando quiseres pousar
A paixão que te roer
É o novo amor que vês nascer
Sem prazo, idade de acabar
Mas só quando quiseres pousar
A paixão que te roer
É o amor que vês nascer
Sem prazo, idade de acabar
Não há leis para te prender
Aconteça o que acontecer
Não vejo mais p'ra te prender
Aconteça o que acontecer
Não há leis para te prender
Aconteça o que acontecer

Gnr,Asas Electricas

Tuesday, January 23, 2007

Lua II

A noite é um dia triste
E a Lua um Sol cessante
Vive do brilho e insiste
Em ter nele o seu amante

A Lua que quando aquece
Não queima a pele nem mareia
Só guia quando anoitece
E a noite é de quem vagueia.

"As often times the too resplendent sun
Hurries the pallid and reluctant moon
Back to her somber cave, ere she hath won
A single ballad from the nightingale
So dot thy Beauty make my lips to fail,
And all my sweetest singing out of tune"
Oscar Wilde, Silentium Amoris

Monday, January 15, 2007

Páginas Brancas

Soltam-se páginas brancas
Livres do meu passado
Queria usar-te de novo,
Quero-me imaculado

Quero-te agora mais alta
Com outra cor de cabelo
E que não sintas a falta, amor
Por saber estar a vivê-lo

Quero falar bem mais alto
E ser inconveniente
Que ao olhar do meu palco
Sinta embaraço, de tão sorridente

Quero a lua redonda
Que o Sol poente se ponha de inveja
Saber que há quem se esconda
E quem não saia um minuto que seja

E que sem pressa a cidade
Do rio ao qual cedeu
Espera a identidade,
Do nome de um filho teu

Friday, January 12, 2007

Meio Tom

Acho que ser meio tom
Deve ter a sua graça
Quem me dera ter o dom
Reclamar para mim o som
Dessa menina que passa

Agarrar nesse refrão
Que esquece quem leva a taça
Fazer dele uma canção
E levá-lo pela mão
Dessa menina que passa

Passeá-lo no num Poema
De um amor desses de Platão
Chovesse em Ipanema
Saísse o Rio de cena
Ela sabendo ou não

Ia agora ser cantada
De verso encadeado
Tinha tudo , não tem nada
Escolheu ser a mal-amada
Foi Bossa e agora é Fado

Wednesday, January 03, 2007






"Quando eu morrer voltarei para buscar
Os instantes que não vivi junto ao mar"
Sophia de Mello Breyner Adresen, Inscrição

Tuesday, January 02, 2007

Batel

Ás vezes sinto que sinto
Ás vezes minto outra vez
Eu não finto
Eu pinto
Aquilo que vês

As letras que eu desenho
Não as vais ler num papel
Das cartas que eu detenho
Desdenho
Qual pintor do seu pincel

Mas não me roubes a mão
Sem ela sou só papel
Resmas largadas no chão
P'ra ser madeira, antes porão
Do teu enorme Batel

"Um por um para o mar passam os barcos
Passam em frente de promontórios e terraços
Cortando as águas lisas como um chão
E todos os deuses são de novo nomeados
Para além das ruínas dos seus templos
"
Sophia de Mello Breyner Andresen, Barcos

Sunday, December 31, 2006













Lua

De pensar que estás mais alta, não tens medo
Por saber que estás mais longe ris baixinho
Mas a face que eu alcanço do meu ninho
É certo, tenho pena, morre cedo.


"Por mais que o Sol doire a face

Dos dias , o espaço mudo
Lembra-nos que isso é disfarce
E que é a noite que é tudo."
Fernando Pessoa
Cinderela

Olha, essa chuva voltou
Trouxe-a o Vento Sul
Sorte de estar onde estou
Pintei o tecto de azul

Não vá chover no molhado
Fecho no trinco a janela
Espero que tenhas cuidado
Quando vieres bater nela

Não tragas pedras na mão
Deixa-as junto ao teu castelo
Há-de querê-las um dia
Quem te chamar Cinderela.
Querido Pai Natal

Dá-me este ano um Ego
Que não seja impenetrável
Um desses de vulgar ferro
Porque este que carrego
Tornou-se Inoxidável

De estar tão resplandecente
Julgo ver-me nele ao espelho
Por ser frio não me mente
Pois tão nitidamente
Jaz no olhar o receio

Não me ofereças escudos
Armaduras Imperiais
Sonda-me os pedidos mudos
E não tragas em canudos
Os parcos restos mortais

Regista o que reclamo
Pois por pedir não fui achado
Sabes que é por ti que chamo
Mesmo sem gorro eu não te profano
Meu Pai Natal disfarçado.

Tuesday, December 12, 2006

Inverno

Do frio que corta à navalha
Do vento que o traz à cidade
Das ondas cheias onde encalha
Da água onde jaz a idade

O calor que de ti se esgueira
Neste Inverno reclama saudade
De um que ardeu na fogueira
No lume da nossa vaidade.

"Espero sempre por ti o dia inteiro,
Quando na praia sobe, de cinza e oiro
O nevoeiro
E há em todas as coisas o agoiro
De uma fantástica vinda"
Sophia de Mello Breyner

Saturday, November 04, 2006

Palco

Luz, camâra, acção...
E agora um enredo?
Actores em segunda mão
Fazem do sol o guião
Deixam no sal um segredo

Vem vê-los representar
De Sinbad, o marinheiro
Dividem em sete o mar
Para poderem contar
Nos sete o mundo inteiro

Ou no papel de ladrão
Onde denotam mestria
E sem roubar um tostão
Carteiristas de emoção
Das linhas de poesia

Cai o pano, ovação
É noite de casa cheia
Foi derrotado o vilão
A bela já veste o roupão
E vai-se embora a plateia

Ficam no palco os fantasmas
Mulheres, criados, crianças
Todas as almas penadas
Esperam p´ra ser encarnadas
E ao monstro deram esperanças

"Antes viver do que morrer no pasmo
Do nada que nos surge e nos devora
Do monstro que inventámos e que nos fita"
José Carlos Ary dos Santos, Soneto

Monday, October 23, 2006

Chuva

Talvez por te ter visto
De vestido pôr-do-sol
Deixei de correr o risco
E só visto
Capa azul de água mole

E esse chapéu sempre aberto
Caso te possas esquecer
Diz-me que a chuva anda perto
E é certo
Vem quando o sol se esconder

"A felicidade é como a pluma
Que o vento vai levando pelo ar
Voa tão leve, mas tem a vida breve
Precisa que haja vento sem parar
Tristeza, não tem fim.

Felicidade sim"
Vinícius de Moraes, A Felicidade

Wednesday, September 06, 2006

Tic Tac

Quiseram prender o tempo
Limitá-lo ao compasso
Dividir cada momento
À frieza de um traço

Mas o Tempo não são horas
Nem os segundos avulso
Quem quiser contar o tempo
Que o sinta no próprio pulso

Sei-te desde anteontem
Do canto de onde me vias
Mas só jurando me contem
Que já passaram dois dias

Quebro então ritmo imposto
Sinto em mim a melodia
O maestro no teu rosto
É festa da Poesia.

Monday, June 05, 2006

Silêncio

O Silêncio bate assim
Entre dois tempos fechado
Três quartos nascem em mim
O outro é procurado

Um nasceu antes do som
Por isso, por ser herdado
É-lhe concedido o dom
Dos três manter procurado

Há um que fala sozinho
Que congeminou um plano
"A quem faltou já carinho??"
Capitalista profano!

Por sorte morca cá outro
Hmm..."quarto seicentos e três"
Faz bom jus ao seu pelouro
E admite uma por mês

Diz na sua intimidade
Não sentir essa torpez
Que ainda está na idade
De ser barulho outra vez.

O outro?...Vive na cave.
Fere-o a luz do dia
Dizem ser de tenra idade
Que á noite vira Poesia.

Friday, April 21, 2006

Colorir

Gosto de ver o teu riso
Que me desmascara tão bem
Cai o pano, nasce o siso
Já o juízo...ai meu bem.

E há história colorida
Que pinto à entoação
Vens e ajudas á vida
Dás-lhe a segunda demão.

Já me tomaste o pulso
E quer eu queira quer não
A jeito pões-te a meu uso
E sem marcar posição

Sabes-me feito de nada
Troças desses baluartes
Que eu invoco de espada
De conquistar sete mares

Mas se acendes o lume
Se sopras ao coração
Sabes que aqui há ciúme
Que arde feito papelão.

Monday, March 27, 2006

"Sei que andas por aí,
oiço os teus passos em certas noites,
quando me esqueço e fecho as portas começas a raspar devagarinho,
ás vezes rosnas, posso mesmo jurar que já te ouvi a uivar,
cá em casa dizem que é o vento,
eu sei que és tu,
os cães também regressam,
sei muito bem que andas por aí."

Manuel Alegre
"Cão Como Nós"

Wednesday, March 08, 2006

Contar-te

Gostava que os assinasses
Estes poemas são teus
Relatos do que deixastes
Ver do que algum Deus te deu

Quem pendurou na parede
Ou imprimiu num postal
Um texto critica de Arte
D´uma obra prima brutal?

E projectar numa tela
Durante um´hora e tal
Um Rectângulo "quadrado"
D´um crítico de jornal?

Comer página de receita
De um doce desse Batel
Pode ter outra meleita
Do que saber a papel?

Assim, tu és quando estás
E "estar" tu fazes com Arte
Sei-te de trás prá frente
E escrevo só pra contar-te.

Tuesday, March 07, 2006

Olho de Mãe

Olho de Mãe tem brilho
Assim tem esse olho também
Olho de quem tem filho
O olho da tua mãe.

Tem um de mil Obrigados
Mas diz-lhe que sei eu bem
Que assim estão endividados
Dois olhos da minha Mãe.