Wednesday, September 14, 2005

As conversas cruzadas
Aqui ecoam perdidas
Contam historias mal passadas
De vidas tão bem contadas
Sendo que não são vividas

Ouço versos declamados
Por vidas de mal amados
De Poemas que são escritos
Contam que foram vividos
Em tempos de troca o passo.


Não ouço gritos
Só risos
São Fados, escritos
Cantados.

Ouço um velho Almirante
Que de olhar penetrante
Saca da leve da sacola
O livro da quarta escola
E entra assim de rompante:

Olhe, "minha Puta rainha"
Digo-lhe a si cara minha
Era termo respeitante
Em tempo de meu Comandante
Á virilidade que tinha
A mulher no seu quadrante

Não ouço gritos
Só risos
São fados , escritos
Cantados

...

Thursday, September 08, 2005


Instante

É menor do que pequeno
Uma ínfima fracção
Quando se para o tempo
Fez parte de um momento
Passa a recordação.







Sunday, July 10, 2005

Saudade

Tenho saudade de ti
Porque me envolves com essa prontidão
Porque tratas de mim
E eu não.

Porque me dás com prazer
Vagas de devoção
E a inconsistência do teu querer
Dá à inevitabilidade do meu ser
Uma certeza sem senão.

Tenho saudade de te
Envolver com esta prontidão
Porque eu trato de ti
E tu não.

Wednesday, June 01, 2005


Sorria e pensava, "nem a ti próprio te enganas..." Só mais uma...
Só mais uma e deixo cá tudo. Só mais uma e vou...vazio.
Mas não ia. E todos os dias voltava confiando na capacidade depuradora do mar.
. Posted by Hello

Friday, April 22, 2005

Diário da Conspiração

Facto: Nos últimos 10 anos instalou-se em Lisboa uma comunidade de 14 000 indviduos de raça Chinesa. Existem nos registos de óbito, no mesmo periodo, de 41 000 indivuduos de nacionalidade estrangeira. 2 são Chineses.

Questão : Mé quié?

Conspiração : Canibalismo na porta ao lado?

Sugestão/Dica : Liberta o repórter/detective/anhado que se agita dentro de ti e saca a . a historia da tua vida...

Monday, April 11, 2005

retrato

Preparava-se para dormir. Depois de enrolar mais um cigarro, certo de que este seria o último, David, procurava de comando na mão a companhia que este, depois de aceso, reclamava. Por entre as fumaças espaçadas que envolviam o feixe de luz que irrompia do televisor, reparava numa fotografia de Noah. Sabia que não o tinha feito espontaneamente. Já reparara nela na noite anterior. E na outra. De facto vinha a convencer-se de que vivia a sua união dividida entre aquela com quem se deitava todas as noites desde á nove anos á altura e uma outra, escondida por detrás da transparência de um rectângulo de vidro encaixado na moldura. Uma cuja óptica cansada de um posto de auto-retratos perdido algures no meio da cidade tinha, esses mesmos nove anos antes, eternizado para si. Uma cuja imagem se encerrava em si mesma e que não se tinha submetido a quase uma década de despertares, desapontamentos, concretizações, paixões,e a casos de orgulhos feridos mal curados. Uma que teimava em não despir o casaco de pele coçada ou de trocar as pulseiras que energicamente agitava no ar, e insistia no mesmíssimo sorriso virgem de sempre. A outra, deitada dormia no quarto ao lado, como na noite anterior. E na outra. Amor á primeira vista. Pelas duas.

Tuesday, December 28, 2004

Ouço-te agora riscada
Soluços, meros soluços
Que me trazem a melodia original

E leio-te agora
Nas páginas que o progresso não deixa amarelar

Também te vejo, em cada lugar comum
E noutros

Tocas-me numa história
Das que começam a meio
Nas quais adormecias ao meu lado

Começou para não acabar
Mas não terá tudo um fim?
Diz-me que sim.



Thursday, June 17, 2004

Conversas banais escondem-me de tudo
Represento um surdo mudo
Represento tudo
Tudo

Perco-me em poesias
putas ironias verdadeiras
rebento com as primeiras
e depois?
depois?
ficaram somente as videiras
que todo o néctar que sorvi
foi das rameiras
puras piranhices trapaceiras
que não só enganam quem quer
como a mulher que vier
pagará como as primeiras.

Friday, May 21, 2004

Fascículos do Pseudo

Quando o dia que passou se torna involuntariamente parte do Grande Arquivo apercebes-te de que a sua lombada, aparentemente imune ao tempo, cedeu ao seu infugaz destino e, efectivamente cresceu.
Cresceu e onde antes cheiravas o branco imaculado, agora, amarelou.

Thursday, February 05, 2004

Diz-me que nasceste outra vez
Que a condutividade da embriaguez é brutal
Que só tiveste espaço para um
E que nenhum se instalou assim

Diz me que sim
Porque sim
Porque não houve explicação

E nem a razão
Traidora e serviçal
Parece ser solução

Nem o tempo
O antes ou depois
Te assalta a intenção
Só imaginação

Desconheces pára-raios
Pára-quedas são em vão
Se houver que pisar em falso
Só chão.

Wednesday, January 28, 2004

Caminho

Se eu fosse tu
Seria o meu
Indubitavelmente.
O teu.

Se eu visse o que tu vês
E o que tu sentes
E se as correntes
As que te levam
Me levassem igualmente
Subsequentemente
Seria o meu
Indubitavelmente
O teu.

Tuesday, January 27, 2004

É brutal!
Schhhhiuuu...




Todos os direitos reservados
Miss Jana Productions

Friday, January 23, 2004

Ah!
Mais um.
E tão evidente...

Este "Noit´" foi tudo menos convincente.
Frio foi.
Falso não.
Incompetente.
E francamente,
Sinto quando uma mala parte para lugar nenhum.
Uma mala.
Nenhum.

Foram três ao todo.
Os que vi.
Os que senti.
E a ti.
Do outro lado.

O segundo,
Sim, porque nenhuma ordem me é imperativa...
O segundo,
Não sei se por alusão temporal, foi fugaz.
1 segundo.
O segundo.

O primeiro esqueci.
Mas conta.

Thursday, January 22, 2004

Claro que sim.
Porquê?
Sei lá...
O que li não me ajuda agora em nada.
O que vi talvez, mas de uma prisma que não o teu.
O meu. Bem mais lúcido.
Consciente?
Sim.
As tuas revelações, de tão amarelas, são automaticamente postas de parte.
Já o tinham sido antes.
Automaticamente?
Sim.Claro que sim.

Wednesday, January 21, 2004

A não esquecer:

Até a grandiosidade de David foi puramente contextual.

Monday, January 19, 2004

"É proibida a entrada a quem não andar espantado de Existir."